Fim de ano é a época em que geralmente as pessoas “fecham para balanço”. É tempo de reflexão, pensamento, de analisar o que fez, o que não fez, o que ainda quer fazer e o que ficou para o ano seguinte (essa última a que dá a maior lista, na maioria das vezes). Entretanto, as festas, os reencontros, os amigos-secretos, os presentes, e todos os outros afazeres tornam mais difíceis e mais raros os momentos que temos para fazer o que mais precisamos no momento: refletir.
Todos nós temos alguns costumes, preferências, hábitos, manias. Certamente aquelas que nos agradam, e as que não. As que nos fazem bem, e as que temos como comportamentos destrutivos.
Mas o que seria necessário para mudar um hábito?
Estou lendo “O Poder do Hábito”, de Charles Duhigg. Segundo ele, em primeiro lugar, precisa-se identificar o que é um hábito. Hábitos são comportamentos que temos quando agimos sem pensar. Nosso cérebro tem certas “rotinas” e está preparado para prestar atenção e focar naquilo que é novo, que pode acontecer inesperadamente. Assim, ele “livra” espaço enquanto fazemos o que é rotineiro, para que, se algo diferente acontecer, estejamos “sempre alertas!”, como diriam os escoteiros (e se você tem algum preconceito, deixe para lá o escotismo e seus pensamentos sobre ele. Mantenha o conceito de alerta, apenas). Lembra o quanto era difícil acertar o ponto da embreagem e acelerar naquela rampa sem cantar pneu ou deixar o carro morrer, quando você aprendeu a dirigir? Agora ficou fácil (esperamos)! No entanto, alguma vez você dirigiu seu carro de volta para casa e não se lembra de ter passado por alguma parte do caminho? Ou se calçou primeiro o pé esquerdo ou o direito do sapato? Ou se pegou as chaves e depois a carteira ou a bolsa? Já voltou para o carro porque não sabia se travou as portas? É, acontece com todo mundo. É como respirar ou piscar. Você nem percebe, já fez.

Identificados os hábitos, vale a pena focar naqueles que gostaríamos que fossem diferentes. É o jeito como pensamos ou que reagimos sobre determinado assunto? É um comportamento que repetimos, mas que não é tão legal assim? É a forma como nos expressamos quando somos contrariados? Abrimos a geladeira procurando alguma coisa pra comer de madrugada? Geralmente, esse tipo de hábito tem como objetivo uma “recompensa”, algo que ansiamos receber e, por isso, nos comportamos de determinada maneira. Por exemplo: vai dizer que aquele alerta de mensagem ou de e-mail novo não dá um anseio, uma “coceirinha” por uma leve distração, ainda que estejamos trabalhando?
Em segundo lugar, é importante que tenhamos claro qual é o “gatilho” deste hábito, ou seja, o que faz com que ele ocorra. Se tivermos algo que gostamos muito de comer logo à nossa frente, teremos, sim, mais e mais vontade de comer. É por isso que muitos aconselham: não tenham esse tipo de “tentação” no armário, caso queira eliminar um hábito. Chegar em casa, tirar os sapatos e ligar a televisão parece sempre mais atrativo do que suar na academia, não é?
Depois, vem a chamada rotina. A “rotina” faz a gente se comportar sempre do mesmo jeito quando encontramos o “gatilho”, a “deixa”. É aquele caminho que você faz todos os dias, é chegar em casa e esquecer os sapatos na sala, é atacar a caixa de bombons inteira, é só se lembrar de tirar a comida do congelador quando já saiu de casa, simplesmente porque não faz parte da sua rotina. É preferir ficar no sofá mesmo quando você sabe que fazer algum tipo de exercício, mesmo que por 15 minutos, já faria toda a diferença. É roer toda a unha do dedo só porque tinha um cantinho levantado, irresistível.

Mudar um hábito requer minúcia em todos esses aspectos. Requer coragem encarar os próprios demônios, se olhar de frente e dizer: é possível. Se mudarmos nossas “recompensas”, nossos “gatilhos” ou nossas “rotinas”, certamente teremos hábitos novos. E isso será tão benéfico para nossos cérebros...! Saiba que sua massa cinzenta é facilmente “condicionável”. Basta querermos examinar, com lente de aumento, sem medo, sem julgamento. Tem época do ano melhor que essa para refletirmos? Acredito que não.
Sejamos felizes. Com nós mesmos, com os outros.
Namastê! Feliz Ano Novo!
Livro da vez: “O Poder do Hábito”, de Charles Duhigg
Texto e colaboração de Stefania Correa